Antes que comece a mais estúpida de todas as guerras ocidentais da história do mundo

recomendo a leitura desse artigo a todxs que querem pensar um pouco mais sobre a questão do uso de armas químicas na Síria.

(mas antes, algumas considerações: o cara que escreveu esse artigo (Robert Fisk) cobriu a guerra civil do Líbano, iniciada em 1975; a invasão soviética do Afeganistão, em 1979; a guerra Irã-Iraque (1980-1988); a invasão israelense do Líbano, (1982), a guerra civil na Argélia, as guerras dos Balcãs e a Primeira (1990-1991) e a Segunda Guerra do Golfo Pérsico, iniciada em 2003. ele também cobre o conflito Israel-Palestina, sendo defensor da causa palestina.

o cara é considerado um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio. contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano; os assassinatos promovidos por Saddam Hussein, as represálias israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque.

isto posto, acredito que o cara não falaria merda no The Independent.

e mais: não, ele não tá defendendo o governo Sírio no texto).

REPITO: recomendo a leitura desse artigo a todxs que querem pensar um pouco mais sobre a questão do uso de armas químicas na Síria.

Agora vamos às considerações, “antes que comece a mais estúpida de todas as guerras ocidentais da história do mundo”: faz todo o sentido do mundo os EUA querer essa guerra para, mais do que atingir a Síria, atingir o Irã (inimigo de Israel).

Reproduzo aqui um dos trechos fundamentais para entender o texto e não achar que o Fisk defende o governo da Síria: “não se trata de defender o regime sírio. Nem me interessa absolvê-lo antecipadamente na questão das bombas de gás. Mas tenho idade suficiente para lembrar que, quando o Iraque – aliado dos EUA – usou gás contra os curdos de Hallabjah em 1988, nós não atacamos Bagdá. O ataque teria de esperar até 2003, quando Saddam já não tinha gás algum nem qualquer dessas armas que habitam nossos pesadelos. Também lembro muito bem que a CIA inventou, em 1988, que o Irã seria responsável pelos ataques químicos em Hallabjah, mentira completa, focada no inimigo dos EUA contra o qual, então, Saddam lutava em nosso nome. E milhares – não centenas – morreram em Hallabjah”. Não tenho o conhecimento necessário para comentar de maneira profunda sobre esses acontecimentos citados, por isso mesmo reproduzi o parágrafo.

Mais um: “Depois que milhares incontáveis morreram na horrenda tragédia síria, de repente – de fato, depois de meses, de anos de prevaricação –, começamos a nos perturbar por causa de umas poucas centenas de mortos. Terrível. Inconcebível. Indecente. Sim, é verdade. Mas já deveríamos estar traumatizados, horrorizados e em ação contra essa guerra desde 2011. E durante 2012. Por que agora?”. Why???

Segundo o jornalista, porque os “rebeldes” que os EUA armaram estão sendo derrotados pelo exército do Assad. “O Irã está cada vez mais profundamente envolvido na proteção ao governo sírio. Assim, vitória de Assad é vitória do Irã. E o ocidente não admite vitórias iranianas”, é a resposta dele.

São tempos difíceis para o mundo inteiro.

 

Antes que comece a mais estúpida de todas as guerras ocidentais da história do mundo

Siriando-se

Mais de 17 mil mortos desde o início dos protestos na Síria, há 18 meses. Dia após dia, homens e mulheres de todas as idades saíram às ruas para protestar contra o governo opressivo do ditador Assad. Era um massacre diário. Vários vídeos relatam o caos vivido por eles. Há menos de um mês, eles decidiram que não iriam mais ser vítimas desse massacre: partiram para a luta armada. O jogo virou: segundo observadores, os rebeldes controlam 60% do território. Vários membros do governo assassino já desertaram.

Um deles me chamou a atenção em sua declaração ao sair da Síria: Riyad Farid Hijab, primeiro-ministro que fugiu ontem. “Hoje, anuncio minha deserção do regime terrorista e assassino, e anuncio que me somo às fileiras da liberdade e da dignidade da revolução” foi a frase que ele usou.

Se minha indignação foi enorme, imagino como não se sentiu o pessoal lá na Síria. O desgraçado serviu o regime de Assad, que chamou de terrorista e assassino, a vida inteira e agora que Assad está a um fio de cair, vem dizer que se soma “às fileiras da liberdade e dignidade da revolução”? Vai se fuder, cara. Hipocrisia é pouco.

Quando começou sua vida polícia, Hijab era sunita, mas como se integrou em um regime alauita, foi para o lado dos alauitas. Agora que a coisa tá feia para o Assad, vem querer pagar de bem feitor dos rebeldes. Ou seja, tudo para tentar se manter no poder. Quero ver se a população Síria vai cair nessa. 18 meses de conflito, mais de 17 mil mortos e uma revolução armada para depois cair novamente nas mãos de vermes escrotos? Não, Síria, por favor, não.

Álvaro de Cózar, enviado do jornal “El País” a Aleppo, perguntou em uma reportagem, “o que leva um jovem universitário a gastar US$ 1 mil em um fuzil Kalashnikov e ir para a guerra?”. A resposta veio do filósofo iraniano Ramin Jahanbegloo: “durante meio século, todo o mundo acusou os cidadãos árabes, turcos e iranianos de não mostrar suficiente interesse em conquistar as liberdades democráticas nem lutar verdadeiramente para livrar-se de seus governantes autoritários. Nos últimos tempos, no entanto, milhões de egípcios, tunisianos, iranianos, iemenitas, sírios e bareinitas demonstraram que essa acusação não era certa, ao levar a cabo mobilizações cada vez mais amplas contra os tiranos”.

Uma frase de um estudante universitário de 23 anos, Ahmed, reflete bem a situação: “No começo acreditávamos em protestos pacíficos, mas a resposta do regime foi tão brutal que eu e a maioria dos meus colegas aderimos ao ELS (Exército Livre da Síria)”.

Alguma dúvida de que se eu estivesse lá eu pegaria em armas também? Aliás, no próximo dia 13 fico sabendo se consegui vaga no Curso de Jornalismo em Situações de Conflito Armado e Outras Violências. Não acharia nem um pouco ruim ser correspondente de algum jornal e cobrir situações assim. Não porque eu goste de violência. Mas porque situações como essas devem ser mostradas. Não dá para se calar diante de atrocidades. Meu papel como jornalista não seria apenas o de relatar o que está acontecendo, mas o de fazer parte dessa realidade para poder transformá-la (só que nesse caso minhas armas seriam as palavras).

Siriando-se

Milhares estão sendo torturados pelo regime monstruoso da Síria

Vocês tão sabendo das monstruosidades que o governo da Síria está cometendo, né? Milhares são presos e outros tantos são mortos, DIARIAMENTE, por protestarem contra a ditadura do asqueroso Assad. Até a própria Liga Árabe está impondo sanções ao truculoso governo. A Avaaz, órgão mundial a favor da democracia, possui membros que estão lutando contra o regime ditatorial do Assad e, recentemente, um deles foi torturado quase até a morte. Até quando o governo de Assad vai continuar prendendo, torturando e matando inocentes? Que tal, ao invés de apenas dizer “oh, coitadinhos”, você fizer alguma coisa? A Avaaz é um órgão mundialmente reconhecido, que já ajudou milhares de pessoas com as suas petições e pode ajudar a Síria. Então, vai lá e assine, ou cruze os braços e continue sem fazer nada. Clique aqui e faça a sua parte, dude.

Abaixo, você pode ler a carta da Avaaz a todos os cidadãos desse mundão:

 

É difícil relatar isso, mas até mesmo membros da Avaaz estão sendo torturados pelo regime monstruoso da Síria. Manhal* nos contou que foi detido em uma prisão secreta, onde removeram suas unhas dos pés e das mãos e eletrocutaram partes de seu corpo. “Eu vi a morte e fui torturado até quase morrer,” ele nos contou. Mas se agirmos agora, podemos fazer do sacrifício de Manhal a última gota para o mundo se virar contra o regime de Assad.

 

Os observadores da Liga Árabe falharam em impedir a repressão brutal, mas a pressão sobre Assad está aumentando. A Avaaz recentemente publicou um relatório terrível revelando a escala das unidades de detenção da Síria, incluindo o que fizeram com Manhal. Se criarmos uma pressão global massiva agora, podemos forçar governos-chave a confrontarem os horrores citados nesse relatório e acelerarem o fim de Assad.

 

Assine a petição agora e quando chegarmos a 500.000 assinaturas, entregaremos-na junto com o relatório da Avaaz para a Liga Árabe e para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, exigindo que eles levem Assad até à Corte Penal Internacional para ser julgado por crimes contra a humanidade:

 

http://www.avaaz.org/po/arrest_syrias_torturers/?vl

 

A ONU já afirmou que houve crimes contra a humanidade na Síria. Agora o regime está lidando com mais uma onda crítica — um pungente relatório compilado por corajosos ativistas sírios da Avaaz que delimita a relação final sobre esses crimes contra a humanidade terem sido cometidos por altos membros do regime de Assad. Nenhum outro relatório tem informações de alto nível que relaciona a tortura do regime nessa medida — essa pode ser nossa melhor chance de fazer o mundo agir.

 

Todos nós tínhamos esperança de que a missão de monitoramento da Liga Árabe fosse impedir a violência, mas a missão foi comprometida e desacreditada. Apesar de testemunharem por conta própria os atiradores de Assad, os monitores apenas estenderam seu período de observação sem um pedido de ação urgente. Isso permite que países como Rússia, China e Índia impeçam as Nações Unidas de se mobilizarem. enquanto isso, a defesa patética usada pelo regime para seus atos desprezíveis tem sido a de que o regime tem lutado contra uma insurgência terrorista, não um movimento pacífico por democracia. Mas relatórios como o da Avaaz expõem a mentira desse regime corrupto e cruel.

Agora precisamos que o mundo seja testemunha dos horrores do regime.

O tempo pode se esgotar para Assad se criarmos uma onda ensurdecedora de pressão pública para promover a mudança. Vamos unir o mundo para exigir que o Conselho de Segurança da ONU leve o regime brutal sírio à Corte Penal Internacional e julguem-no por crimes contra humanidade. Assine agora e divulgue para todos:

 

http://www.avaaz.org/po/arrest_syrias_torturers/?vl

 

Por todo o mundo árabe, o poder popular tem derrubado ditadores e nossa incrível comunidade da Avaaz esteve no coração dessas batalhas pela democracia, furando o bloqueio da mídia imposto pelos líderes corruptos, empoderando jornalistas cidadãos, provendo ajuda emergencial vital para comunidades sob cerco, e ajudando a proteger centenas de ativistas e suas famílias dos bandidos do regime. Não vamos permitir que o sofrimento pela liberdade do Manhal seja em vão. Vamos exigir que a ONU se mobilize imediatamente.

 

Com esperança e determinação,
Luis, Ian, Maria Paz, Ricken, Emma, Wissam, Heather e toda a equipe da Avaaz

 

* – “Manhal” é um pseudônimo para proteger a identidade do ativista.

 

MAIS INFORMAÇÕES:

 

Relatório da Avaaz sobre as Unidades de Detenção na Síria (em inglês) http://disappeared.avaaz.org/detentioncentresreport.htm

 

Violência na Síria já matou 6.200, dizem ativistas (Reuteurs) http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE7BL0BI20111222

 

Assembleia Geral da ONU condena direitos humanos na Síria (Folha de São Paulo) http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1023468-assembleia-geral-da-onu-condena-direitos-humanos-na-siria.shtml

 

Líga Árabe avalia direitos humanos na Síria e pode pedir ajuda à ONU (BBC Brasil) http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120108_siria_ligaarabe_pu.shtml

Síria: Regime de Bachar al Assad não desarma (Euronews) http://pt.euronews.net/2012/01/03/siria-regime-de-bachar-al-assad-nao-desarma/

 

Nova ofensiva do regime sírio deixa ao menos 10 mortos (Terra Brasil) http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5548507-EI17594,00-Nova+ofensiva+do+regime+sirio+deixa+ao+menos+mortos.html

Milhares estão sendo torturados pelo regime monstruoso da Síria