Ato “Copa para quem?”

copa pra quem?

Pra quem não sabe, sou do Comitê Popular da Copa SP. Amanhã teremos nosso grande Ato “Copa Para Quem?” VEEEEEM!

O Comitê Popular da Copa SP – grupo aberto de articulação e resistência contra impactos e violações de direitos humanos da Copa do Mundo de 2014 em São Paulo- e os mais de 50 movimentos sociais, organizações e coletivos que assinam o manifesto “COPA PARA QUEM?”, convidam a todxs para o ato:
“Copa pra Quem?”, dia 1º de dezembro, às 13 horas, com concentração em frente à Ocupação da Rua Mauá, nº 340.
Desde que o Brasil foi anunciado sede da Copa do Mundo de 2014, diversos impactos têm sido sentidos pela população: remoções forçadas de milhares de  pessoas de suas casas, sem alternativa de moradia digna, para dar lugar a  obras viárias que nem sequer foram discutidas com a população – estima-se que serão mais de 170 mil famílias retiradas de suas casas; incêndios criminosos em favelas; expulsão da população em situação  de rua do centro da cidade… tudo isso em um violento processo de limpeza social. Nas obras, a precarização dos  direitos e condições de trabalho daqueles que constroem a cidade, e nas  ruas, a perseguição aos trabalhadores ambulantes, impedidos de trabalhar. Assistimos a um processo de militarização da cidade através de operações policiais que têm como alvo criminalizar, reprimir e exterminar indivíduos – especialmente pobres, negros e periféricos, e movimentos sociais.
Além destes impactos, a Lei Geral da Copa aprovada em maio deste ano entra em vigor neste dia 01/12, em razão do sorteio das chaves da Copa  das Confederações da FIFA em São Paulo. Isso significa que será demarcada uma área de exclusão, em que a prefeitura de São Paulo abdica de sua autoridade em favor da FIFA, que controlará o acesso em um raio de dois quilômetros em torno de todos os locais de eventos até o final de 2014, incluindo ruas, avenidas, e todos os equipamentos públicos que houver na região. Esta medida fere direitos e liberdades constitucionais, como o direito de ir e vir em espaço público, e a competência municipal para regular esse espaço.
Em vez de ser motivo de celebração do esporte  mais popular do país e melhoria na vida das pessoas da cidade, a  preparação para este megaevento tem sido utilizada para aumentar,  acelerar, e intensificar violações de direitos humanos por toda a  cidade. Nos estádios, ingressos caros elitizam o acesso ao espetáculo e às manifestações da cultura do futebol: o ingresso mais barato não sairá por menos de R$ 57 e bandeiras e instrumentos foram proibidos dentro dos estádios. Serão mais de 30 bilhões de reais, vindos dos cofres públicos, investidos em obras para um evento que será acessível a poucos e que tanta falta faz nas áreas da saúde, educação, moradia, transporte e no próprio esporte. Com o crescimento do turismo devido à Copa, cresce também a exploração sexual de mulheres e crianças e o tráfico de pessoas.
Pensando  nesses impactos e na possibilidade de uma organização popular para resistir e  fazer o contraponto a este processo, entendendo que a cidade e o futebol são do povo e não de entidades privadas como a FIFA ou  a CBF, corporações como a Coca Cola, governos ou empreiteiras, o Comitê  Popular da Copa SP e as organizações e coletivos listados abaixo, convidam todos os jornalistas para o grande ato do dia 1º de dezembro, data do sorteio das chaves da Copa  das Confederações da FIFA em São Paulo. Lideranças do Comitê Popular e moradores afetados pelos impactos da Copa estarão no local disponíveis para esclarecimentos e entrevistas à imprensa.
“Basta o amor pelo esporte para hipnotizar desavisados”
– Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira
Ato “COPA PRA QUEM?”
Data: 1º de dezembro de 2012
Horário: 13h
Local: concentração em frente à Ocupação da Rua Mauá, nº 340
Estimativa de público: 10 mil pessoas
Trajeto:
-Rua Mauá, 340
– Alameda Cleveland
– Rua Helvétia
– AV Rio Branco
– Rua Dos Gusmões
– Rua Mauá
-AV Tiradentes – sentido Sambodrómo do Anhembi
Acompanhe a página do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/223458344452367/
Informações para a imprensa: 
Graziela Massonetto – (11) 9 8705-3411 / (11) 9 8917-1171 / (11) 3039-5673
Juliana Machado – (11) 99333-7128
Coletivos & Organizações:
Articulação Nacional pela Memória, Verdade e Justiça
 APAC- Associação Potiguar dos Atingidos pelas Obras da Copa
 Associação de Professores da PUC-SP (Apropuc)
 Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Helian- Itaquera
 Autônomos & Autônomas FC
 Buraco D’Oráculo
 Casa Mafalda
 Central de Movimentos Populares (CMP)
 Centro Acadêmico de Serviço Social – PUC SP (CASS PUC-SP)
 Centro Acadêmico Ruy Barbosa (CARB)
 Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
 Coletivo Canto Geral – Direito USP
 Coletivo NASA – ABC
 Comissão Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
 CPT-Comissão Pastoral da Terra e Pastoral Carcerária
 Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes
 Comitê Popular da Copa SP
 Companhia Kiwi
 Companhia da Revista
 Comunidades Unidas de Itaquera
 Cooperativa Paulista de Teatro (CPT)
 Democratização do Futebol
 Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes
 Escritório Modelo da PUC – SP
 ExNEEF Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física
 Fanfarra do MAL (Movimento Autônomo Libertário) (bateria)
 Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (FEDDCA)
 Fórum da Assistência Social da Cidade de São Paulo
 Fórum Permanente de Acompanhamento das Políticas Públicas para População em Situação de Rua de São Paulo
 Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital (GARMIC)
 Grupo Teatral Parlendas
 Hangar de Elefantes
 Instituto do Negro Padre Batista
 Instituto Pólis
 Instituto Práxis de Direitos Humanos
 Jornal O São Paulo
 Kombi do Rap – São Caetano do Sul
 Marcha Mundial das Mulheres
 Movimento de Moradia Região Central (MMRC)
 MDF – Movimentode Defesa dos favelados – Regiaõ Episcopal Belém
 Mira Central – grupo livre de pesquisas sobre áreas urbanas centrais
 Movimento de Sem Teto
 Movimento de Teatro de Grupo
 Movimento de Teatro de Rua de SP
 Movimento Nacional da População de Rua (MNPR)
 Movimento Passe Livre SP (MPL)
 Movimento Salve Barroca – Em Prol da Vida
 Núcleo de Antropologia Urbana da USP (NAU)
 Núcleo de Defesa de Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis – SP (NDDH-SP)
 Núcleo de Direito à Cidade – USP
 Observatório das Metrópoles – São Paulo
 Ocupa Sampa
 Pastoral Afro da Arquidiocese
 Pastoral da AIDS
 Pastoral da Moradia Arquidiocese
 Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM)
 Pastoral de Rua
 Pombas Urbanas
 Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo
 Rede Jubileu Sul Brasil
 Rede Rua
 Salve Barroca – São Caetano do Sul
 Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU)
 Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS)
 Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM)
 Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (SAMORCC)
 Streetnet International
 Tribunal Popular
 União dos Movimentos de Moradia São Paulo (UMMSP)
 Vila Nova Esperança
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Ato “Copa para quem?”

(Des)aniversário Ocupa Sampa

1 ano de Ocupa Sampa. Parece que foi ontem aquele 15 de outubro chuvoso de 2011. Ao mesmo tempo, parece que conheço todxs do Ocupa há anos… Esse vídeo, com uma compilação feita pelo Duda, mostra um pouco sobre o que foram esses 12 meses. Hoje à noite, realizaremos um balanço/roda de conversa sobre esse 1 ano de luta. Será às 19h, no Vale do Anhangabaú, embaixo do Viaduto do Chá, onde tudo começou.

No sábado, rolou o #13º Global Noise – Panelaço – A cidade é nossa. Estávamos em 50 pessoas. A oficina de cartazes no Moinho foi marcada pela ampla participação das crianças. No caminho, paramos nas ocupações Mauá, São João e antiga Ocupação Ipiranga. Era aniversário de 2 anos de ocupação da São João, fomos convidadxs para festa que rolaria à noite.

Já quase chegando no Anhangabaú, o Tatu da Copa estava ali nos esperando. Não foi nada planejado, de repente, não mais que de repente, o Tatu estava caído, murcho, furado. A galera de Porto Alegre pode se orgulhar da gente. Aliás, para quem não sabe o que aconteceu em Porto Alegre, fica aqui um vídeo sobre o caso. Os manifestantes sofreram violenta repressão policial ao invadir o espaço destinado ao Tatu. Como forma de protesto e indignação, a galera de Brasília também acabou com o Tatu. Em SP, ele caiu nesse último sábado. Que ele caia em todas as cidades. UNI-VOS CONTRA O TATU – que representa a política higienista e especulativa da Copa no Brasil.

 

Após o Tatu cair (lembrando que tô falando do caso aqui de SP), vimos uma atitude extremamente preconceituosa e racista da GCM. Entre as 50 pessoas que estavam ali, a acusação de ter furado o Tatu foi para um morador do Moinho que nos acompanhava. O motivo? O cara é negro e pobre. Isso já basta para incriminá-lo de acordo com a política dos órgãos de repressão do nosso país. Após longas horas de diálogo com a GCM e sem abandonar o lema “se levar um, leva todo mundo”, o caso foi resolvido sem maiores conflitos. Aqui tem uma matéria sobre essa ação.

Tivemos uma roda de conversa sobre poder popular, militarização da cidade e as consequências que os megaeventos como a Copa e as Olimpíadas trazem para o país. Depois, fomos à festa da São João. E, caralho, fomos super bem recebidos. Até espaço no palco improvisado, para tocar e cantar, nós tivemos. Cena improvável: Mariano ao lado de uma criança ensinando ela a tocar bateria. A criança em questão é o Lucas, de 12 anos, morador da ocupação e já presidente do Grêmio da sua escola. Fiquei trocando ideia com o guri. Tem futuro!

O balanço do dia é bem positivo. Não fosse um porém: a sombra de alguém que estaria ali mas não estava. Ainda não digeri. Ainda acho estranho. Ainda não sei como agir. A cada dia essa sombra fica maior. A cada dia sinto isso que eu tenho aqui dentro morrendo um pouquinho. Mas… não penso em sucumbir. Não quero, não cogito. Vou cambaleando, mas vou. Sigo cantando, mesmo que rouca. O coração não tá leve, mas segue pulsando. Levo um sorriso torto no rosto, acompanhado pelo meu andar desajeitado e pelo meu jeito desajustado.

(Des)aniversário Ocupa Sampa

as veias abertas da américa latina

ando tão sem paciência pra futilidades… nesses últimos dias, entreguei várias matérias na faculdade (arte de deixar tudo para última hora), fiquei a tarde inteira escrevendo sobre socialismo e planejamento, sociedade da segurança e sociedade da liberdade, livre concorrência no neoliberalismo, finalizei meu texto para o livro Perifeminas, compareci às reuniões do Ocupa Sampa… tava precisando sentir o sangue correndo em minhas veias dessa maneira.

as veias abertas da américa latina

Lugar de mulher é onde ela quiser

Sábado foi dia da Slut Walk, ou seja, da Marcha das Vadias, em São Paulo. O evento vai ser tema de uma reportagem que farei para a matéria de radiojornalismo, mas mais do que apenas cobrir o evento e conversar com as pessoas, fui como ativista.

Cheguei relativamente cedo, exatamente às 13h. A Praça do Ciclista ainda não estava lotada. Fui com a Samy, que conheci durante a Virada Cultural desse ano, no show do Suicidal Tendencies. Claro que lá encontrei várias pessoas conhecidas e amigos. Aliás, a parte interessante de estar por dentro de movimentos sociais é que você sempre encontra pessoas que conhece nessas manifestações. O pessoal do Ocupa Sampa marcou presença forte, como sempre. Eles foram os responsáveis pela bateria. Só queria ter ficado mais tempo com a Gabs Scalambra. Acabamos nem conversando muito.

Um dos momentos mais legais foi quando uns dez caras chegaram, todos vestidos de preto, com lenços cor de rosa no rosto, segurando a bandeira preta do anarquismo. Eles estavam com os rostos cobertos, representando a mulher que não pode se expressar, mas não pude deixar de reconhecer entre eles o meu vegano preferido que mora descendo a Consolação, não usa Facebook nem programas da Microsoft – relaxa, não divulgarei nomes!

Entrevistei mãe e filha – sendo que foi a mãe, de 42 anos, que convidou a filha, de 14, para ir à manifestação, e o pai dela foi quem confeccionou os cartazes que elas exibiam. A filha estava super tímida, enquanto a mãe, animada, falava sobre como a mulher precisa se impor diante de atitudes machistas. Quando me viu escrevendo, a filha soltou um “você é canhota também, que legal!”, a frase mais empolgada que saiu da boca dela.

Também conversei com uma estudante de ciências sociais e com um publicitário. Ainda preciso transcrever as entrevistas. A diversidade foi o ponto alto: pais e filhos, velhos e novos – tinha até gente que ainda estava no útero na mãe. O que mais me chamou a atenção foram os homens: vários deles aderiram ao movimento com cartazes e mensagens em seus corpos dizendo “eu também sou vadia”.

Acho importante eles também aderirem, mostrarem que posições machistas não estão com nada, e que ser HOMEM NÃO É SINÔNIMO DE SER MACHISTA. Aliás, como diz um stêncil em paredes por aí, não há nada mais sexy do que um homem feminista.

Agora vamos aos dados e informações. A Marcha das Vadias surgiu no Canadá, após um policial afirmar que mulheres não deveriam se vestir como “vadias” se não quisessem sofrer crimes de violência sexual. Para dar um basta à culpabilização das vítimas de abuso sexual e ao constrangimento imposto sobre o comportamento da mulher, entre eles a forma de se vestir, as primeiras Slut Walks foram organizadas, e hoje acontecem em várias partes do mundo.

No Brasil, a violência contra a mulher faz parte do cotidiano: a cada 24 segundos, uma mulher é espancada ou violentada. Essas mulheres têm que lidar com o péssimo atendimento e o descaso das autoridades públicas ao procurarem ajuda, e como se não bastasse, muitas vezes são obrigadas a ouvir que de alguma forma, “pediram” ou “mereceram” suas agressões.

A tentativa de colocar as mulheres vítimas de violência sexual na posição de culpadas pelas agressões que sofreram contribui para que as vozes dessas mulheres sejam silenciadas. Acusá-las por seu suposto “comportamento de risco” como fator causador da violência parece válido para um grande número de pessoas. MAS NÃO É. Uma saia curta, um rua escura ou beber demais não autorizam nem justificam qualquer tipo de agressão. A culpa por qualquer violência sexual é do próprio agressor. A Marcha tem por objetivo, reivindicar o direito sobre nossos corpos, para exercer LIVREMENTE a nossa sexualidade.

Estamos em uma sociedade em que somos julgadas e condenadas pela maneira como nos vestimos, pelo “tipo” de comportamento que temos. O fato de sermos mulheres e assumirmos as nossas escolhas não significa que estamos dispostas a sermos tratadas como objetos, a sermos constrangidas nas ruas, a sermos agredidas.

Temos o direito de andar por onde precisarmos, para onde quisermos e da maneira como escolhermos, de burca ou de mini saia, sem medo ou constrangimento. Negras, brancas, transexuais, homossexuais, bissexuais, heterossexuais, jovens ou não: SOMOS TODAS MULHERES LUTANDO PARA NOS LIBERTAR DESSE CICLO DE VIOLÊNCIA MACHISTA. Marchamos para que sejamos livres. E se ser livre é ser vadia, então SOMOS TODXS VADIAS.

PS.: Encontrar o pessoal do Autônomos FC na Marcha foi lindo ♥

Lugar de mulher é onde ela quiser