Do you think you can tell?

We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears

Repeat, repeat, repeat. Incessantemente. Não sai nada. Só entra, entra e se dissipa pelo corpo inteiro. Não há mais palavras. Todas elas já foram ditas. O que resta é o sentimento. O que fica é o sentimento. Que já não sabe mais o que sentir, o que sente, o que deveria estar sentindo. Um buraco, um vazio, uma imensidão de eucaliptos mofados no caminho. Já não se sabe. Talvez nunca souberam ou virão a saber. A dúvida pairando no ar como a fumaça saindo da boca de um fumante de Lucky Strike vermelho. Incertezas, indigestões, dor de estômago. Nada mais serve para acalmar ou trazer paz. Não há calma. Não há paz. Só esse terremoto de emoções cinzentas, estranhas, apagadas, dolorosas. O sorriso não demonstra nada, o afeto não está ali. Onde foi que se perderam? Será assim daqui pra frente? Não, não, não… Só preciso descansar, desacordar. Extirpar essa coisa ruim aqui dentro. E repetir, repetir até o fim: wish you were here. E você, deseja estar aqui?

Do you think you can tell?

sobre paixão e amor por camelo

(porque não dá pra falar do camelo sem antes falar de LH)

los hermanos não entrou no meu coração depois que ouvi anna júlia. eu tinha 9 anos. o legal era cantar com os amigos e só. los hermanos, oi? foi só mais tarde que os barbudos realmente me pegaram. descobri o primeiro álbum inteiro com uns 13 anos. cantava “quem sabe?” aos berros após uma decepção adolescente. mas a primavera me trazia a esperança. los hermanos nesse época foi uma paixãozinha de adolescente. mas então, anos depois descobri o segundo álbum, lançado em 2011. eputaquepariu. me apaixonei de novo, mas era uma paixão mais madura. porque ninguém era mais sentimental que eu, e eu queria pintar o meu nariz e brincar de ser feliz, e se eu pecava era na vontade de ter um amor de verdade… aí veio o ventura, de 2003. eputaquepariu de novo. ah, eu não queria mais ser uma vencedora, todo mundo que me via lendo jornal na fila do pão sabia que eu tinha te encontrado, não me acanhava em ver vaidade em mim, perguntava quem se atrevia a dizer do que é feito o samba… dessa vez, a paixão se tornou amor. e pra consolidar esse amor, numa espécie de casamento, foi lançado o 4. eu queria ver o horizonte distante, pedir pra nós todo o amor do mundo e ouvia o vento passar e assistia à onda bater.

após o casamento, a banda acabou. mas o amor permaneceu, é claro. rodrigo formou o little joy, banda bacana. e marcelo seguiu carreira solo. então vamos falar do marcelo. camelo, prxs íntimxs. já disse que meu tesão é intelectual, né? então sempre senti um puta apreço pelo cara. e confesso que não gostei quando ele convidou a mallu pra compor com ele e eles começaram a namorar. apesar de gostar da mallu desde aquela época, achava ela muito menininha pra ele (é, eu dou opinião sobre relacionamentos de pessoas que eu nem conheço. quer dizer, conheço sim, mas não conheço). mas o tempo foi passando e tcharãm, malluzinha cresceu, hoje é um mulherão e também me causa um apreço imenso (a-m-o as músicas do último cd dela).

mas voltando ao camelo.

saí da festa de casamento (da minha prima) e fui direto pro show. é, vestido de festa, make up, penteado… o salto eu tirei. ou eu ficava descalça ou eu não conseguia ficar mais de pé. optei pela primeira opção. chegay suada – e já descabelada –, de tão rápido que andei, com medo de não chegar a tempo.

o teatro vila mariana não é tão grande nem tão pequeno e tem uma acústica incrível. sentei de frente pro palco (é um teatro, tem cadeiras e tal, então infelizmente a gente tem que sentar). palco lindo, simples, com umas samambaias pra dar o ar tropical, que me lembrou o clipe “sambinha bom”, da mallu.

camelo entra no palco com pouco mais de 10 minutos de atraso. lindo, lindo, lindo. junto a banda hurtmold e ao trio dos metais: bubu, tiquinho e jaziel. lindos, lindos, lindos. me arrepiei.

em 2008, camelo lançou seu primeiro álbum solo sou – ou, como a arte poema de rodrigo linares nos possibilita ler, nós – e, mais recentemente, em 2011, lançou toque dela. o que presenciamos foi uma mistura de los hermanos e de sua carreira solo.

inevitável não chorar com pois é e acostumar, não se emocionar com janta e cantar morena aos berros. pular com copacabana e menina bordada. o cara sentado ao meu lado, me acompanhava na cantoria (assim como a maioria das pessoas ali naquele teatro). mas chegou um momento em que não dava mais pra ficar sentada, sabe? algo maior que eu. aquela atmosfera que se forma em um ambiente com muita gente curtindo a mesma energia. levantamos. quase todos. ficamos em frente ao palco, pulando, cantando, gritando além do que se vê.

o sentimento era de festa, de comemoração. eu, atônita, em êxtase, sentindo todo o amor do mundo ali. então camelo se despediu. e continuamos ainda um tempo por ali. gosto de quero mais, muito mais. ah, ele distribuiu as samambaias entre o público. acabei ficando sem samambaia. mas trouxe comigo todo o sentimento. todo sentimento me carrega. ficou faltando último romance. será que demora muito tempo pro camelo subir novamente aos palcos?

sobre paixão e amor por camelo

nada por mim

tô meio assim.

você me tem fácil demais, mas não parece capaz de cuidar do que possui. você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz. me disse vai, e eu não fui. não faça assim. não faça nada por mim. não vá pensando que eu sou sxx…

meio sei lá.

meio boba.

meio feliz.

meio…

aprendendo a colocar os pingos nos is.

tempo, grande companheiro.

tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei.

não me derrube no final!

nada por mim

We only said goodbye with words

1 ano sem Amy. Lembro que tinha acabado de acordar e a Laylinha me ligou pra contar da morte dela. Logo depois, várias mensagens no celular de amigos dizendo que a minha diva estava morta. 23 de julho de 2011. Uma das vozes mais marcantes de toda a história da música se foi. Desabei e comecei a chorar. Porra, Amy, por quê? Claro que era uma morte já praticamente anunciada, se tratando apenas de uma questão de tempo para ela partir. Mas… não dá para ficar totalmente preparado para lidar com uma perda assim. Ainda mais quando essa pessoa, mesmo de longe, faz parte da sua vida.

Amy fazia da minha. Suas músicas foram – e continuam sendo – trilha sonora de vários momentos da minha vida. Ela não era uma “maluca da rehab”, ela era uma pessoa extremamente sensível, com problemas em sua vida pessoal, que encontrou refúgio no álcool e nas drogas. Não, não estou fazendo uma apologia ao estilo de vida que a Amy levava. O que quero deixar expresso é que ela nunca escondeu de ninguém quem ela realmente era. Por ser tão verdadeira, pagou o preço de ver em vários tabloides, fotos suas em estado deplorável. Mas a Amy nunca foi apenas uma imagem no jornal. Amy, acima de tudo, era uma artista com uma voz maravilhosa, que não fazia questão de esconder seus problemas do mundo.

Letras sinceras, timbres surpreendentes, verdade estampada em seus olhos. É disso que lembro ao pensar na Amy e ao ouvir suas músicas. Para mim, ela sempre estará entre as melhores. Estar presente no show dela aqui no Brasil, em sua primeira e última turnê pelo país, cantando aos prantos, “Tears Dry On Their Own” e “Valerie” foi uma experiência que me causa arrepio até hoje. Não vou esquecer jamais daquela garota baixinha e magrinha que não tinha vergonha de mostrar suas fragilidades entrando no palco e mostrando o seu vozeirão já afetado pelo álcool e pelas drogas, mas ainda potente e totalmente encantador.

Sua presença ainda é constante em minha playlist. Hoje é dia de ouvir Amy do amanhecer até o anoitecer. E tomar uma vódega em sua homenagem. E lembrar de guardar dinheiro para tatuar a minha própria Amy Winehouse em estilo pin-up.

PS.: Lembrei agora que faz quase 1 ano que coloquei meu piercing acima do lábio. Para quem não sabia, foi, sim, uma homenagem à Amy.

We only said goodbye with words

POSSIBILITIES

Why I have to live inside just one perspective?

I don’t have only one choice

I have a lot of them

Is it a problem?

Why should I worry about?

They call me bitch

They call me drunk

They call me slut

They call me junkie

Should I care?

Should I change?

Should I scream?

All I know is that I wanna

Be everything thar I can be

Every little piece this world can give me

Find myself in several possibilities

Don’t tell me I’m wrong

For trying go beyond

For trying get what I want

For trying be everything

Every little fucking thing

POSSIBILITIES

amy, amy, amy

eu também sou um problema. não, não sou boa. nunca me mandaram pra rehab. mas se mandassem, eu diria no no no. não lembro ao certo como conheci amy winehouse. mas tenho em mim a certeza do amor à primeira vista que senti. foi na época do colégio e ela ainda não havia feito sucesso no brasil com o “back to black”. ouvi “stronger than me”, do primeiro álbum, “frank”. ao ouvir aquela voz, soube que o título do álbum só podia ser uma alusão ao frank sinatra. e realmente era. lembro muito bem de quando a apresentei ao meu então professor de história: “quando a ouvi pela primeira vez, imaginei uma negra gigante cantando”, foram as palavras dele. e amy o surpreendeu – e a mim também – , por ser branca, pequena, magérrima, tatuada, ter piercing, usar um topete gigante, exagerar no delineador e, por, em uma sociedade hipocritamente correta como a nossa atual, admitir encher a cara e não desmentir sobre o uso de cocaína e outras drogas mais pesadas.

o alcance vocal, as referências de blues e jazz, o estilo pin-up decadente, as próprias composições, e principalmente, o jeito como ela conseguia ser ela mesma com toda a fama que alcançou. quais são os cantores hoje em dia que se bancam? que são a cara à tapa? que não perdem a própria essência? que tem a coragem de admitir e ser o que realmente são? foi o conjunto, entende? teria como eu não me apaixonar por essa mulher?

em janeiro desse ano, fui ao show dela na arena anhembi. foram os R$200 mais bem gastos da minha vida. vários críticos musicais meteram o pau nas apresentações dela aqui no brasil. mas fã que é fã, sabe que a amy não era uma cantora perfeitinha, com shows perfeitinhos. ela não era uma mera imagem. e quando ela não conseguia cantar, esquecia as letras, ou tropeçava no palco, estava sendo verdadeira, tanto com ela como com quem ia vê-la. como várias outras, ela poderia ter usado playback, feito gravações por cima de gravações, ter editado a voz com programas de computador e o todo o caralho a quatro que a tecnologia nos permite hoje em dia. mas não. ela preferiu ser de verdade. e pagou o preço por isso.

não tenho pena dela, não há motivo. ela sabia por onde estava andando. ela escolheu aquele caminho. fez, até o último instante, aquilo que queria fazer, e repito: pagou um preço por isso. eu tinha acabado de acordar quando soube da morte dela. minha irmã mais nova veio correndo me contar que havia lido no twitter. não consegui conter as lágrimas. não foi simplesmente mais uma cantora que morreu. foi a última cantora. a última cantora de verdade. e o que a mídia falava? sobre como as drogas tinham levado ela pra esse caminho e bla bla bla. é o que interessa pra eles. o que sempre interessou: os escândalos de amy.

mas quer saber? se nem ela se importava, por que deveria eu me importar? fuck off, seus merdas. como disse a kelly osbourne, uma de suas melhores amigas: “te amo para sempre, amy e nunca esquecerei quem você era de verdade”. quer algo mais significativo? a mídia pode falar a bullshit que for, mas quem enxergou a verdadeira amy, sabe o tamanho da perda que tivemos. foi a última junkie que eu amei. e vou amar pra sempre.

só se diz adeus com palavras, era o que você dizia, e por isso te escrevo essas. ainda tenho 6 anos e meio antes de ir te encontrar.

não existe mais ninguém, amy. NINGUÉM.

ficarei por aqui mais um tempo, ouvindo seus discos e tentando manter a chama acesa. gostaria de não ter acertado quando disse que você morreria aos 27. mas como disse seu companheiro mr. cobain, é melhor apagar de uma vez do que queimar aos poucos.  e pessoas como nós sabem disso. não vou explicar que eu não tô comparando um com o outro. enfim, li em algum lugar que pessoas extraordinárias são meteoros designados para se incendiar para que a terra possa ser iluminada. você iluminou, amy.

 

amy, amy, amy