música ambiente

se um dia fores embora
te amarei bem mais do que esta hora
me lembrarei de tudo que eu não disse
e de quando havia tudo que existe
quando choramos abraçados
e caminhamos lado a lado
por favor, amor me acredite
não há palavras para explicar o que eu sinto
mesmo que tenhamos planejado
um caminho diferente
tenho mais do que eu preciso
estar contigo é o bastante
certas coisas de todo dia
nos trazem a alegria
de caminharmos juntos lado a lado por amor                                                                                                                                                                                       e quando eu for embora                                                                                                                                                                                                                           não, não chore por mim.

música ambiente

Let

I still just don’t know what to do with myself, but now, I’m more balanced. And then, I listen Beatles singing “don’t let me down, don’t let me down, don’t let me down, don’t let me down”.

***

“De você fiz o desenho mais perfeito que se fez”… Acrilic on Canvas não sai da minha cabeça hoje. Foi a primeira música que ouvi ao acordar, assim que entrei no carro e coloquei na Nova Brasil FM. Me lembrei que não assisti ontem ao especial da MTV com o Wagner Moura cantando Legião. Alguma dúvida de que se eu estivesse lá presente – ou mesmo vendo pela TV – meus olhos se encheriam constantemente de lágrimas? Legião teve um papel fundamental na minha vida. E continua tendo…

Lembra que eu disse que não gostava de Jota Quest? Pois é, mas depois da música da Legião, ouvi uma deles e… porra, outra música linda. “Então seguirei meu coração, até o fim, pra saber se é amor, magoarei mesmo assim, mesmo sem querer, pra saber se é amor, eu estarei mais feliz, mesmo morrendo de dor”. É, Rogério, pois é.

Na sequência, veio Vanessa da Mata, com Amado. “Sinto que você é ligado a mim, sempre que estou indo, volto atrás, estou entregue a ponto de estar sempre só, esperando um sim ou nunca mais”. Cara Nova Brasil FM, assim você me mata. Sério.

***

Após uma hora de atraso, a Woltz chega no shopping Eldorado para comprarmos minhas luvas de boxe, minhas bandagens e meu protetor bucal. Perdoei o atraso porque o trem tava com problema – ok, mesmo se o trem não estivesse com problema eu também teria perdoado. Ela me ajudou mais do que o vendedor da loja. Escolheu a bandagem e o protetor pra mim, além de indicar as luvas. Riu de mim porque eu quis tudo rosa, mas isso foi um mero detalhe.

Depois, passamos na Imaginarium pra ver a nova linha de produtos pro dia dos namorados. Uma belezura mais linda que a outra. Produtos supérfluos sim, mas lindos e estilosos. Dá vontade de levar tudo para casa. Encontramos até uma espécie em miniatura dos nossos gatos – ela tem um gato preto chamado Google, que eu desconfio ser irmão da minha Lady, de tão parecidos que os dois são.

Acabamos sentando pra beber um chopp no estande da Brahma, dentro do shopping mesmo. Gatos, cachorros, inglês, espanhol, francês, Os Vingadores, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, faculdade, trabalho, relacionamentos, família, festa junina, estrelas, artes marciais… Algumas coisas nunca mudam. O contexto pode até se alterar, mas, definitivamente, repito, ALGUMAS COISAS NUNCA MUDAM. “Nossa, vocês fazem tudo igual” foi o que a garçonete disse após termos abaixado, aberto a mochila, pegado a carteira e entregado o cartão juntas. Sabe-se lá por que, olhamos uma para cara da outra e ficamos vermelhas de vergonha. Coisa que só a gente entende.

Pegamos o mesmo ônibus para voltar pra casa e fomos relembrando sobre como nos conhecemos e sobre os shows em que ela tocava baixo com o Los Madrugas e me dedicava músicas do Cazuza. “Semana que vem tem mais” foi o que ela me disse antes de descer. Faz parte do nosso show.

***

Não se trata de reviver o passado e sim de trazer para o presente tudo o que foi bom.

Let

sete cidades

uma dor que vem da alma e chega até o corpo físico. tudo dói. dolorido de uma forma que nem as palavras conseguem explicar. acordo de meia em meia hora e a noite parece não passar. um maço de cigarro inteiro acaba e o ponteiro do relógio permanece estacionado. vinte e três maços não seriam suficientes para dissipar em fumaça o turbilhão de pensamentos que passam pela minha mente. meu estômago incomoda, mas não tenho fome. minha garganta incomoda, mas continuo gritando em silêncio. minha cabeça incomoda, ainda assim ouço legião urbana no último volume. tudo incomoda e não sei o que fazer, como agir, o que pensar, o que dizer. i just don’t know what to do with myself…
sete cidades

Meu amor é teu

“Você apareceu do nada e você mexeu demais comigo”… Pode soar cliché e até meio brega, mas acho que não existem outras palavras que se encaixem tão perfeitamente ao nosso encontro. Eu passei o dia inteiro na São João, onde famílias foram expulsas pela Justiça do prédio que ocupavam irregularmente. O dia inteiro no sol, sentada no chão, sem nenhuma maquiagem. Ao anoitecer, fui com o Márcio para Augusta. Era para eu ter ficado pouco tempo. Mas…

Augusta é Augusta e conheço meio mundo por lá. Acabei encontrando alguns amigos na Peixoto Gomide, sentei para conversar com eles e… te encontrei. Você estava bebendo com seus amigos. Eu pedi o isqueiro. Você ofereceu a bebida. Não lembro quem puxou o assunto primeiro, mas quando dei por mim você tinha colocado blues, jazz e música clássica no seu celular para eu ouvir. Eu pensei, “porra, ele tá me mostrando blues, jazz e música clássica em plena sexta-feira à noite na Peixoto Gomide”! Eu pirei com aquilo. Depois você me mostrou um caderno com textos da sua própria autoria. “Porra, além de gostar de música boa, ele ainda escreve”, foi meu pensamento seguinte. Eu pirei ainda mais.

Eu já tinha bebido uma quantia razoável de álcool e precisava ir ao banheiro esvaziar a bixiga. Você me acompanhou. No Pescador, parei para conversar com uns amigos. Cantamos Legião Urbana na rua. Foi lá que a gente se beijou pela primeira vez.

Ficamos a noite inteira juntos e no final, a boba aqui pediu para que você me deixasse e fosse embora. Eu não aceitava que um cara, o qual tinha acabado de conhecer, pudesse mexer tanto comigo. “Sou um animal sentimental me apego facilmente ao que desperta o meu desejo” foi a música que veio em minha mente naquele momento. Eu pedia para você ir, mas você ficava, pois enxergava nos meus olhos a verdade: eu queria mesmo era que você ficasse. Mas eu não daria o braço a torcer.

Então você disse que queria cuidar de mim. Que não era mais um cara. Que não ia embora. Que queria ficar na minha vida. Que entendia meu medo. Foi quando comecei a chorar na sua frente – e me senti péssima por isso. Chorar na Augusta enquanto o dia está amanhecendo? Eu nunca chorei na Augusta antes e um cara que acabei de conhecer, que me mostrou músicas ótimas, que escreve bem para caralho, que é inteligente, engraçado e lindo, consegue me fazer chorar fácil assim?! Porra!

Decidi ir para casa. Antes de eu ir, você me entregou uma folha de caderno com um texto seu. Li enquanto pegava o metrô e… simplesmente amei. Bateu aquela vontatde de voltar correndo para os seus braços.

Cheguei em casa e acabei adormecendo com o papel ainda em minhas mãos. No dia seguinte te mandei um sms. Abri um sorriso do tamanho do universo quando você respondeu.

Foi assim que a nossa história começou. Não vou mentir: ainda tenho medo, ainda me sinto insegura. Mas hoje posso admitir: te amo, te quero, te desejo. O tempo inteiro, todos os dias, agora, nesse exato instante. Foi algo tão louco, tão rápido, tão… a gente.

Eu quero viver um dia de cada vez contigo. Nada mais, nada menos. Mas tem que ser completo, sabe? Cada momento. Como diria o Caio F., que seja doce, neném.

Meu amor é teu

Meninos & Meninas

 

 

 

 

 

 

 

 

Então, após alguns meses, ela foi para cama com um cara. Nunca se sentira tão estranha fazendo sexo como dessa vez. Nada se encaixava, o toque não dava prazer. Fizeram tudo o que tinha para fazer e ela não se arrepiou em nenhum momento. Preferiu mesmo quando eles dormiram e ficaram ali, na cama, somente abraçados.

Ela tem sonhado com todas as garotas que já beijou. Em um dos sonhos, todas as tomadas tinha a inscrição WOLTZ; em outro, encontrou um homem-golfinho-pinguim cujo signo era aquário; isso sem contar naquele em que ela se casava com a então namorada num dia de eclipse e o que ela levava de carro para escola (!) uma garota com quem estava. Por razões desconhecidas, o Universo inteiro parece conspirar para isso: a primeira garota por quem ela se apaixonou tem mandado vários e-mails, todos os últimos filmes que ela assistiu tinham cenas ou pelo menos insinuações lésbicas, e até o Emmy Awards entrou nessa ao escalar Jane Lynch como apresentadora.

Não tem conseguido, ultimamente, olhar para um cara e sentir tesão por ele. Não que ela queira olhar para um cara e sentir tesão por ele. É que ela não está, digamos, acostumada, a olhar para um cara atraente e não sentir porra nenhuma. Ou a ir para cama com um cara e também não sentir porra nenhuma. Quanto a essa última frase, não literalmente, é claro.

Ela tem andado confusa. Na verdade, confusa ela sempre foi. Mas a confusão aumentou quando ela percebeu que não as borboletas no estômago não estão se agitando em relação aos caras. Não que ela considere isso ruim. Ela só não digeriu isso muito bem ainda. Aquela música da Legião, que ela cantava com tanto entusiasmo, já não faz tanto sentido assim. Ela não faz ideia se é apenas uma fase ou não. “O tempo vai dizer, baby, não se preocupe tanto assim”, é o que eu gostaria de dizer para ela.

Meninos & Meninas

Rio, 40 graus

Quer saber? Ele sempre vai ser o meu cara. E eu sempre vou ser a pirralha dele. Ponto final.

“Você é uma menina linda e inteligente com um coração do tamanho do mundo, sempre disposta a comprar uma boa briga para defender um injustiçado e sempre desejosa de melhorar o mundo. Sei que você pode refletir e repensar seus conceitos com mais carinho, não deixe que esse amor todo que você sente volte-se contra nada e contra ninguém na forma de ódio”, foram as palavras dele após eu me indignar com a aprovação do dia do orgulho hétero na Câmara.  

Nunca vou deixar de me indignar. Mas também não vou deixar meu coração ter espaço para abrigar um sentimento tão feio quanto o ódio.

Ah, sim, ainda ouço Legião Urbana e me pego pensando – quase sem querer – em você. Mesmo você aí no Rio e eu aqui nessa SP onde não existe amor.

Aqui você encontra o texto que escrevi sobre esse ridículo dia do orgulho hétero que está fazendo diversos brasileiros – héteros ou não – sentirem o oposto: VERGONHA.

Rio, 40 graus