O fim da Aldeia Maracanã: não é assim que se faz uma Copa do Mundo

indioHoje acordei com uma notícia péssima. A de que a polícia invadiu a Aldeia Maracanã para retirar os índios e manifestantes que protestavam contra a desocupação do espaço. Hoje, a Aldeia Maracanã viu seu fim pelas mãos truculentas da polícia e do Estado. É esse o país do futuro. É esse o país que abrigará a Copa do Mundo. Parabéns, Brasil.

“Cada vez que se comete um ato de violência que coloca em risco a integridade de um grupo social indígena, se esfacela sua cultura, seu modo de vida, suas possibilidades de expressão. É uma porta que se fecha para o conhecimento da humanidade, como dizia Levi-Strauss. É essa a Copa do Mundo que o governo quer fazer? É esse espetáculo da violência, a lição civilizatória que o Rio de Janeiro tem para mostrar ao mundo? A política-espetáculo tem um efeito simbólico: mostrar que o avanço do projeto de cidade, rumo aos megaeventos esportivos, far-se-á a qualquer custo” – Fernanda Sánchez, professora da UFF e pesquisadora sobre os megaeventos e as cidades. Leia o texto completo aqui.

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O fim da Aldeia Maracanã: não é assim que se faz uma Copa do Mundo

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não sei quanto a você, mas eu não consigo ser plenamente feliz enquanto índios perdem suas terras e são dizimados, jovens negros de periferia são mortos, mulheres e crianças são estupradas, animais são torturados pelas indústrias da moda, entretenimento, científica e alimentícia, milhares de pessoas não tem o que comer, milhares de pessoas não tem onde morar, milhares de pessoas são expulsas de suas casas, fanáticos religiosos promovem guerras, animais são abandonados, furacões, terremotos e tempestades acabam com a vida de diversas pessoas, os acidentes de trânsito continuam fazendo diversas vítimas fatais, a comunidade LGBT é discriminada, a propriedade vale mais do que a vida, o trabalho é alienante, a educação não é para todxs, o sistema de saúde é precário, tenho que abaixar a cabeça para governantes que não me representam, o homem ainda é visto como superior, pensamentos super mega conservadores rodeiam o mundo, a pornografia infantil domina denúncias de crimes na internet… como não se indignar? não dá pra ser totalmente feliz vivendo em um mundo assim. como existem pessoas que se conformam com suas vidinhas fúteis? I DON’T BELONG HERE, acho que essa é a explicação. eu sinto demais as dores do mundo… e essa dor, essa indignação, é o que me move. não vou ficar parada assistindo toda essa desgraça. SÓ RECLAMAR NÃO ADIANTA NADA. então se você também não está satisfeitx, FAÇA ALGUMA COISA. por menor que seja, qualquer ação em prol de um mundo melhor é válida. dar bom dia ao vizinho, ajudar um animal de rua, visitar comunidades da periferia… ações pequenas fazem a diferença. o que não dá é pra não fazer nada. uma pessoa não pode mudar o mundo inteiro, mas ações locais, feitas por muitas pessoas, em nível global, podem. é clichê, mas é a frase mais adequada para esse momento, dita pelo grande Gandhi: SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ DESEJA VER NO MUNDO. eu estou tentando e você?

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somos todxs guarani kaiowás!

cheia de coisas pra fazer, entre elas, escrever, mas poucas coisas vindo aqui para o vertigem existencial. é um momento mais de reflexão do que de afirmação. são as perguntas que me movem, não as respostas. continuo sempre buscando. um dia talvez eu me encontre. por enquanto, o que tenho são indagações. e claro, indignações.

os guarani kaiowás estão sofrendo processo de expulsão de seus território desde 1882. elxs começaram a se organizar e resistir a partir dos anos 70. mais de 40 anos depois, elxs estão cansados de lutar sozinhxs. muitxs foram mortos, outrxs cometeram suicídio, uns se tornaram alcoólatras, outrxs pedem esmola. crianças sofrem de desnutrição, jovens não têm perspectiva de vida. diante dessa situação traumática e da iminência de serem novamente retirados de suas terras sagradas, os guarani kaiowás escreveram uma carta onde se dizem prontos para a morte coletiva. querem ser mortos e enterrados naquela terra que os pertence. elxs e a terra são uma coisa só. ao perderem seu lugar sagrado, a vida não faz mais sentido, por isso a escolha de morrer ali. não podemos deixar que isso aconteça. estaremos sendo cúmplices de um genocídio. vamos nos mobilizar e mostrar que não concordamos com o tratamento destinado os indígenas do nosso país. vamos protestar em defesa da população indígena. vamos fazer nossas vozes serem ouvidas. não podemos ficar indiferente à essa situação! no dia 9 de novembro, várias cidades brasileiras irão às ruas em defesa dos Guarani Kaiowás. divulgue, faça barulho, vá para a rua mostrar a sua indignação.  compartilhe! os Guarani Kaiowás agradecem.

links dos atos em diversas cidades:

> ASSIS (SÃO PAULO):
https://www.facebook.com/events/159445634197279/?ref=ts&fref=ts

> BELO HORIZONTE:
https://www.facebook.com/events/371904726219958/

> BLUMENAU:
https://www.facebook.com/events/347083772054966/

> BOTUCATU:
http://www.facebook.com/events/360957667329391/

> BRASÍLIA:
http://www.facebook.com/events/124459604371995/

> BRUSQUE (SC):
http://www.facebook.com/events/447183465327708/

> CAMPINAS:
https://www.facebook.com/events/214806451986360/

> CURITIBA:
https://www.facebook.com/events/394547940613363/394628290605328/?notif_t=event_mall_reply

> FLORIANÓPOLIS:
https://www.facebook.com/events/378267812253624/378299538917118/?notif_t=event_mall_reply

> FORTALEZA (CEARÁ):
https://www.facebook.com/events/483478978349104/

> FRANCA (SP)
https://www.facebook.com/events/116372531851375/119349861553642/?notif_t=event_mall_comment

> GOIANIA:
https://www.facebook.com/events/294253704008603/

> IGUATEMI (MATO GROSSO DO SUL):
https://www.facebook.com/events/509290072415229/

> NATAL
http://www.facebook.com/events/447255528654781/

> NAVIRAÍ (MATO GROSSO DO SUL)
https://www.facebook.com/events/211073339024714/

> NOVO HAMBURGO (RIO GRANDE DO SUL):
https://www.facebook.com/events/482519438445729/?ref=notif&notif_t=plan_user_joined

> OURO PRETO:
http://www.facebook.com/events/301119536668690/?fref=ts

> PORTO ALEGRE:
https://www.facebook.com/events/129675823847555/

> PORTO VELHO:
http://www.facebook.com/events/182146125255839/

> RECIFE:
https://www.facebook.com/events/483167641706659/
https://www.facebook.com/events/166285963512562/

> RIO DE JANEIRO:
http://www.facebook.com/events/365753913509986/

> SALVADOR:
https://www.facebook.com/events/365496263539421/

> SÃO PAULO:
http://www.facebook.com/events/321807844593833
http://www.facebook.com/events/437752996271360/
http://www.facebook.com/events/432501233463886/

>TAUBATÉ:
https://www.facebook.com/pages/Ato-Nacional-Em-Apoio-Ao-Povo-Guarani-Kaiow%C3%A1-N%C3%BAcleo-Taubat%C3%A9/478488248858004

> TERESINA:
http://www.facebook.com/events/107726986054872/

> VITÓRIA:
https://www.facebook.com/events/374310939320632/

*** AINDA ESTAMOS FAZENDO ATUALIZAÇÕES PARA CONCENTRAR TODOS OS EVENTOS, NOS INFORMEM DE NOVOS ATOS!

somos todxs guarani kaiowás!

como agir efetivamente em defesa dos guarani kaiowás?!

acabei de escrever pra uma galera que quer organizar praticamente do nada, só entre eles mesmos um ato em defesa dos guarani kaiowás. óbvio que eu acho manifestações válidas, mas pra um caso urgente como esse, as manifestações tem de ser realmente efetivas. e infelizmente, 20 neguinhos saindo nas ruas não é efetivo. a galera acha que é festa… pura massagem de ego, só pra poder dizer “yes, eu fui às ruas em defesa dos guarani kaiowás”. isso me frustra bastante, porque eu não sou contra sair às ruas – eu sou a pessoa que mais gosta de protestos assim – mas cansei de paradas ineficazes bancadas por meia dúzia de neguinhos que só querem ter seu ego massageado…

 eis o que escrevi:
 
não é ter pensamentos negativos. mas não sei quanto a vocês, já participei da organização de várias manifestações e já estive em várias, então desculpa, mas dps de organizar várias manifestações, eu fiquei muito chata em relação a isso. considerações (lembrando que não tô menosprezando nada, é só um toque pra vocês, não me odeiem, rs): o que pretendemos ao ir pras ruas? será que uma parada realizada numa segunda feira vai mudar alguma coisa pros índios? ou é só uma massagem de ego do tipo “olha, EU estou indo às ruas”? por ser algo MUITO urgente, acredito que temos que realizar ações EFETIVAS. tem que se articular, conversar com as lideranças indígenas, afinal, são eles os prejudicados. não pode ser algo da juventude paulistana apenas… e pra ser efetivo, temos que ser ouvidos: então porque não se articular com mais gente (coletivos como a casa mafalda, o pessoal do passe livre, a marcha das vadias) pra poder chamar a imprensa pra cobrir? porque infelizmente, eles não vão cobrir se for algo pequeno e nada de efetivo se terá feito.  é que a gnt fica na ânsia de fazer alguma coisa muito rápido e não nos articulamos muito bem… claro que existem coisas q tem q ser feitas JÁ. e acho q isso é uma delas. mas o evento do sábado me mostrou q não estamos preparados pra coisas grandes, infelizmente. e tipo, se não é efetivo pros índios a gnt vai pra rua só pra mostrar que estamos indo? repito: fica sendo massagem de ego, manja? claro q eu quero ir pra rua. claro q eu quero ajudar os guarani kaiowá. mas COMO eu podemos fazer isso? COMO fazer isso? ir com 30 pessoas pra rua resolve? como fazemos pra resolver então? sabe, não são questões negativas, são questões de alguém q tá cansada de não ver efeitos reais vindo de manifestações! e essa questão é MUITO urgente pra que não dê em nada! não to dizendo q temos q ficar em casa. mas é preciso pensar melhor o que efetivamente queremos…
como agir efetivamente em defesa dos guarani kaiowás?!

Guarani Kaiowá: resistência indígena

Os Guarani Kaiowá vivem atualmente na porção sul do território do Mato Grosso do Sul, na cidade de Dourados. Recentemente, uma carta assinada pelos líderes da aldeia anuncia o suicídio coletivo de 170 homens, mulheres e crianças caso a Justiça Federal retire o grupo da Fazenda Cambará, onde estão acampados provisoriamente. Expulsos pelo contínuo processo de colonização, os índios pedem há vários anos a demarcação das suas terras tradicionais, eles vivem hoje em menos de 1% de seu território original, atualmente ocupadas por fazendeiros e guardadas por pistoleiros. Com a maior população no Brasil, os Guarani Kaiowá travam, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território.
Diante de um histórico de guerrilha injusta, onde as guerras pela terra são travadas com armas rústicas contra armas de fogo, onde crimes contra indigenas são encobertos pela justiça, deixando soltos os executores que diariamente passam por dentro das Aldeias, mesmo depois de serem condenados. Alem das dificuldades enfrentadas em relação a moradia, alimentação, falta de energia e saneamento. O sofrimento do povo Guarani Kaiowá é totalmente ignorado pelas autoridades brasileiras em favor do desenvolvimento do agronegócio na região.
Estamos vivendo um paradoxo da internacionalmente elogiada economia brasileira, que está ancorada em uma política de “desenvolvimento” que assassina e expulsa indígenas, quilombolas e demais comunidades de suas terras, valorizando as atividades agricolas, esmagando e passando por cima de qualquer vida humana.
Guarani Kaiowá: resistência indígena

O Santuário não se move!

A especulação imobiliária, além de incendiar favelas quer acabar com um santuário indígena. E isso são apenas duas situações isoladas. Em todo o Brasil, a situação está alarmante. Casos e mais casos de desapropriações surgem diariamente. Um deles, o santuário indígena que citei, virou tema de um curta metragem produzido pelo Zé Furtado. Mas antes de falar sobre o filme, vamos falar sobre o que é o Santuário dos Pajés.

O santuário é uma área indígena tradicional dos macro-jê (um tronco linguístico, que por sua vez é uma forma de classificar línguas indígenas) fundada pela Comunidade Tapuya em 1957. Além de abrigar a tradição, os costumes e a cultura da comunidade Tapuya, o santuário se tornou um centro cerimonial e espiritual Indígena, ponto referência de vários indígenas e de simpatizantes da espiritualidade e cultura indígena do Brasil e também da América do Sul. A terra fica na reserva do cerrado, em Brasília.

No início do processo de construção de Brasília, em 1957, cerca de 80 etnias indígenas residiam e transitavam pela área original da Fazenda do Bananal, que passou a ser chamada de Santuário dos Pajés. Doze Fulni-ôs (tribo de índios que vivem em Águas Belas, Pernambuco) foram trabalhar na construção, e chegando lá, começaram a erguer uma casa de reza na fazenda e a defender o espaço.

Mas claro que os agentes da especulação imobiliária não iria deixar os índios em paz por muito tempo… O Setor Noroeste, um projeto urbanístico que se autointitula como “ecovila e primeiro bairro verde do país” foi planejado para ser implantado exatamente ali, na terra sagrada dos índios. É isso mesmo, eles querem tirar os indígenas de suas terras e acabar com a última reserva de mata virgem do cerrado, mas continuam se vendo como ecologicamente corretos… Sem contar que o bairro será destinado às classes A e B e já é considerado o metro quadrado mais caro de Brasília…

O Ministério Público tinha uma liminar na Justiça que inviabilizava obras no local, até que o processo de demarcação fosse concluído, porém essa liminar caiu em agosto de 2011. Depois, a Justiça determinou que a obra fosse embargada até o dia 27 de outubro de 2011, porém duas empresas violaram a determinação. Aconteceu uma audiência e ficou determinado que apenas a empresa Emplavi poderia continuar a obra, mas por diversas vezes as outras empresas investiram no Santuário, inclusive com apoio (ILEGAL!) da PM do Distrito Federal.

Aí você pergunta: então quem garantiu até agora que as obras e o desmatamento não continuassem? A própria comunidade indígena e a sociedade civil que apoia a causa. Até agora 15 pessoas foram detidas e enfrentam processos judiciais por defender o Santuário.  A situação atual é complicada. Foram duas tentativas de acordo, mediadas pela juíza que cuida do caso, Clara Mota, frustradas. Enquanto isso a desembargadora Selene Maria de Almeida está autorizando, através de liminar, que outras empresas iniciem a construção no espaço sagrado. Assim, novos canteiros de obras estão surgindo com o respaldo da justiça.

O Zé Furtado acompanha o caso e fez um documentário fantástico sobre o Santuário dos Pajés, intitulado “A Ditadura da Especulação”. O nome do curta pode ser usado para falar sobre todas as desocupações que estão sendo realizadas no Brasil… O filme foi apresentado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e puta que pariu, que cena linda. Um grupo de estudantes e indígenas subiu ao palco para ler a carta (maravilhosa, siga-se de passagem) que o Furtado escreveu contra a especulação imobiliária da área. O curta foi o PRIMEIRO FILME A SER APLAUDIDO DE PÉ pelo público.

O curta não recebeu nenhum patrocínio e como ironia do destino – ou não –  um dos patrocinadores do festival é a Terracap, estatal que administra a obra no Santuário…

Assista ao curta (confesso que não controlei as lágrimas e senti muito ORGULHO dos jovens e dos índios que se colocaram na frente das máquinas):

Matéria que saiu na ESPN:

O Santuário não se move!