Sobre olhos que mudam de cor

Camila Strongren,

Tenho um certo problema para começar cartas. Nunca sei como começá-las. Nosso começo foi meio nonsense, então não dá para esperar uma carta com um começo no estilo conto de fadas, né? Se antes tudo era apenas uma espécie de plano, hoje, se há algum plano é o de que possamos ficar juntas até ficarmos bem velhinhas… Foram meses sem falar contigo, após toda a merda que eu fiz. Lembro que minha irmã foi ao show da Kate Perry e eu fiquei lembrando de quando fomos ao prédio da Gazeta para comprar o seu ingresso. Durante esse tempo em que ficamos distantes e eu via algo que era a sua cara, tinha vontade de te mostrar – mas aí eu lembrava que a gente não tava se falando e desencanava.

É, eu reconheço, fui uma vadia estúpida e sem coração. Mas não quero falar do passado. Quero falar do quanto você foi, é, e sempre será importante para mim. De como você mudou a minha vida e me fez enxergar o mundo com outros olhos. Sem você, tudo estava incompleto. Claro que eu ainda tenho muito a aprender, mas você é parte essencial desse aprendizado. Sem você eu não seria quem eu sou hoje.

Quando voltamos a nos falar, eu percebi que simplesmente não conseguia ficar longe de você. Que os olhos ainda mudam de cor. Que “o que for para ser, vigora”. Falando em mudar de cor, foi engraçado ter a Nanda Cury no nosso reencontro… Ela sempre botou uma fé enorme na gente. Ah, hoje ela me disse que em janeiro tem show do X So Pretty e nos convidou para ir.

Eu achei que você não fosse compreender, que não confiaria em mim novamente, que me chamaria de louca por estar sentindo tudo isso por você! Mas você não me julgou e me deu, ou melhor, nos deu, mais uma chance. Hoje eu vejo tudo o que passamos como um degrau para que atingíssemos um nível mais alto. Afinal, hoje sabemos bem o que sentimos uma pela outra e o mais importante: sabemos que realmente queremos ficar juntas.

Hoje fazem 10 anos que a Cássia Eller se foi. Tô ouvindo “No Recreio”. E hoje, posso dizer com toda a certeza do mundo, que “só é possível te amar”. Se não me engano, ela nunca escreveu uma música. Mas todas as músicas que ela cantou parecem que foram escritas para ela, já percebeu? Amo a potência e a urgência com que ela canta as músicas mais pesadas e a ternura que ela transparece na voz com as músicas mais calmas. “Agora que eu comecei a gostar da mulher, ela morre?” foi o que ouvi minha tia dizer há 10 anos atrás. Acho que gosto da Cássia desde a primeira vez que a ouvi cantar. Não sei ao certo qual música ouvi primeiro, mas não há uma única música que ela cante da qual eu não gosto. Quando comecei as aulas de canto, cantei “Malandragem” na minha primeira apresentação.

Tava pensando esses dias em como nomes que começam com a letra “c” geralmente pertencem a pessoas fodas. Além da própria Cássia, tem o meu querido Cainho, tem o Cazuza (ok, o nome dele era Agenor, mas ninguém chamava ele assim!), a Clarice… e você, bebê, a pessoa que me fez descobrir o que é o amor, o que é amar de verdade. Acho que merecemos, finalmente, todo o amor que houver nessa vida.

Obrigada por fazer parte da minha vida, obrigada por ter deixado meus erros para trás, obrigada por estar ao meu lado, e principalmente, obrigada por ser quem você é.

Te amo com todo o meu coração, com toda a minha alma, com todo o meu ser e com todo o meu drama e exagero leonino. I’m yours.

Sobre olhos que mudam de cor

Santa Clara Clareou

Sabe o que me irrita mais? A sua maneira de fingir. De dizer algo e depois negar com todas as suas forças. Por que tanta falsidade? O que você ganha com isso? Uma vida mais fácil, superficial e sem muitos problemas? Desculpe dizer isso, mas agindo dessa maneira, você me dá nojo. Não sou a melhor das pessoas para falar de relacionamentos, mas nunca neguei uma verdade na frente das pessoas com quem me relacionei. E mesmo no meu último relacionamento, que foi uma parada insana e cheia de ilusões, eu sempre tentei tornar meus sentimentos verdadeiros – o que não deu muito certo, mas eu sempre quis amar ela de maneira completa e plena. Não deu. Brigamos, ficamos meses sem nos falar, mas esclarecemos TUDO. Aí eu fico pensando: se até com a minha ex, com a qual tive a história mais nonsense de todas, tudo está resolvido, por que diabos você ainda insiste em fingir e se esconder atrás de máscaras que não deixam transparecer a sua verdadeira essência?

Me enganei totalmente e ainda assim, não me arrependo de nenhuma vírgula ou acento. Colocaria todos os pingos no “i” novamente, se fosse preciso. Quanto a você, continuo sem saber ao certo o que pensar. É, você continua uma incógnita. Mas dessa vez eu não pretendo desvendar porra nenhuma. Nem tô exigindo explicações. Continua na sua que eu continuo na minha. Ah, e claro, e peço desculpas por não conseguir ser tão superficial.

De qualquer maneira, sinto que me livrei de algo do qual deveria ter me livrado a muito tempo. Não espero mais nada, nem peço, muito menos quero. Li uma frase do Cazuza, esses dias, que diz muito sobre esse momento. “Não quero que finja sentimentos por mim. Não aceito que segure a minha mão se tem intenção de soltá-la. Só quero o que for verdadeiro”. Claro que as pegadas aleatórias tem o direito de soltar a minha mão quando quiserem, assim como tenho a liberdade de soltar a delas. Mas se você não for uma pegada aleatória e eu tiver um grande apreço por você, nem pense em segurar se depois pretende soltar. Não quer segurar? Diz que não quer e pronto, porra. Simples assim. Posso até ficar mal e fazer o maior drama, mas prefiro ficar down pelo “não” do que ser enganada com falsas demonstrações de sentimentos e palavras ditas da boca para fora.

Fiquei pê da vida, morta de raiva. Gritava mentalmente “Fuck you, fuck you very very much“, igual a Lily Allen. Mas passou. Claro que ainda tem uma raivinha dentro de mim, mas ela é quase nula. No more drama for you, baby. Não quero mais que segure a minha mão. Não quero mais nada que venha de você. Pelo menos não naquele sentido em que eu queria antes. “Um belo dia resolvi mudar“, como diria a Rita Lee. Demorou, mas a ficha caiu. E quer saber? Tô feliz.

Enfim, salve Santa Clara.

Santa Clara Clareou

Assim como as canções

 

(TODOS CONVERSANDO)

Voltando para casa, dentro do carro, após meus pais me buscarem na faculdade. Pai: Como é o nome daquela cantora que tocou agora pouco aqui no rádio mesmo?

Mãe e irmã: É cantor, não cantora.

Pai: Não, não, é mulher. Ela canta aquela música que diz assim: “amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente”. A Gra deve saber. É sapatona.

Eu: Ah, é a Ângela Ro Ro, gente. Ela era amiga do Cazuza e do Caio Fernando Abreu.

(SILÊNCIO)

Assim como as canções

Weakness

Entre um e outro gole de vodka, com o pensamento longe e o coração na mão, olhou dentro dos olhos daquela garota que estava em sua frente e, podendo enxergar a sua alma, soube que mesmo que trouxesse dentro de si toda a força do mundo,  aquela garota continuaria sendo o ponto fraco dela.  Lembrou do Cazuza. “Benzinho, eu ando pirado, rodando de bar em bar, jogando conversa fora, só pra te ver passando, gingando, me encarando, me enchendo de esperança, me maltratando a visão, girando de mesa em mesa, sorrindo pra qualquer um, fazendo cara de fácil, é, jogando duro com o coração, gracinha, todo mundo tem um ponto fraco, você é o meu, por que não?”.

Weakness