Casamento igualitário em SP, mas um deputado racista e homofóbico na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias?!

lgbtSim, São Paulo acabou de se tornar o 6º estado brasileiro onde o casamento igualitário é regulamentando. Assim, desde 1º de março de 2013, casais do mesmo sexo podem casar-se com os mesmos direitos que os dos heterossexuais em qualquer cartório da cidade (Piauí, Distrito Federal, Alagoas, Espírito Santo e Bahia são os outros estados onde o casamento homossexual também pode ser feito sem o casal ter que recorrer à justiça).

Não deu nem tempo de comemorar: o deputado Marco Feliciano (PSC) é um dos nomes mais cotados para assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Congresso Nacional. Se você lê jornal, provavelmente sabe quem é Feliciano. É, aquele mesmo que disse que os negros são amaldiçoados (!!!) e que acha que ser homossexual é um desvio de conduta (!!!). Ou seja, teremos um deputado racista e homofóbico presidindo uma Comissão que luta contra o racismo e a homofobia. Praticamente um Hitler dando assistência aos judeus.

Como isso aconteceu? A manobra é creditada ao fato do PT, que ocupava a presidência da Comissão, ter aberto mão dela “barganhando poder com o PSC”, nas palavras do Marcelo Tas. Jean Wyllys (deputado pelo PSOL) foi mais enfático: “o fato mostra o quanto o PT está comprometido mais em se manter no poder do que com a defesa dos Direitos Humanos de minorias”. Até a ex-vice-presidente da CDHM, Erika Kokay (deputada pelo PT) admitiu o quão inadequada é a indicação do Feliciano: “corremos o risco de mergulharmos no obscurantismo e negarmos a história da comissão”.

O caso está nas redes sociais e nos jornais, há também um abaixo-assinado contra o Feliciano na presidência na CDHM. Agora, o que nos resta é continuar divulgando a inconsistência em ter uma pessoa como ele presidindo essa Comissão e aguardar o resultado.

Só lembrando xs reaças e xs escrotxs em geral: liberdade de expressão e pensamento é diferente de preconceito, racismo, homofobia e discurso de ódio.

Casamento igualitário em SP, mas um deputado racista e homofóbico na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias?!

coutinho, wedding & camelo

sexta-feira, depois do trabalho, calor. era pra ser um reencontro de amigos no bar coutinho. mas… sabe-se-lá-o-que-aconteceu com as pessoas e acabei não encontrando ninguém do tempo de colégio e tal. mas tudo bem. pelo menos não rolou aquela coisa de “nossa, cê viu? roberta já tá com 2 filhos!”, “o joão, que era espinhento, tá um gato!”, “a glaucia, que era gostosa, tá enorme de gorda” e afins.

eu, gus & jess – amigos que não são do tempo de colégio, mas que são amigos pra todo tempo – ficamos no bar em frente ao coutinho. cerveja mais cara, porém, com cadeiras pra sentar. mas não quero focar naquilo que conversamos. quero focar numa cena que aconteceu.

levantei pra fumar ~já disse que odeeeeio essa lei anti-fumo?~ e assim que acendo meu cigarro, um carro para com tudo e dele sai um cara que pega dois moleques que estavam passando na rua. foi uma coisa muito rápida, saca? e quando vi o cara -~burguesinho escroto, se fazendo de machão~ pegando os moleques pelo pescoço e dizendo que ia bater neles, não tive dúvidas. entrei no meio. comecei a bater boca com o cara, fiz ele soltar os meninos ~porque nessas horas, todo mundo tava virando machão e querendo socar os pivetes~. descobri que um deles tinha pegado o celular do burguesinho escroto. mas devolvido. não vou entrar aqui no mérito do moleque tá certo ou errado (não tô defendendo ele ter pegado o celular do burguesinho escroto). mas porra, precisa agir violentamente com esses dois meninos de, no máximo, 12 anos? um deles saiu com a boca sangrando, de um soco que o burguesinho escroto deu. os dois começaram a chorar. e eu lá, vendo se tinha machucado muito, aconselhando, falando que aquilo não era certo, mas que não justificava o que o burguesinho escroto fez com eles e mandando eles vazarem dali logo, antes que o tal burguesinho escroto voltasse. eles vazaram e pude me acalmar e acender outro cigarro, porque aquele tinha se perdido durante a confusão.

é, repito, foi tudo muito rápido. mas depois, claro, o assunto da noite foi esse. colou até um carinha desconhecido na nossa mesa e ficamos falando sobre como atitudes violentas assim só vão fazer com que essas crianças se tornem violentas também, um círculo vicioso. sad, so sad.

então o gus veio dormir em casa. aí são 2h da manhã, tô assistindo “bastardos inglórios” com ele. comercial. fecho os olhos por alguns instantes. pausa. acordo às 8h da manhã com minha mãe voltando do plantão. fecho os olhos por alguns instantes. pausa. acordo às 11h da manhã com minha irmã indo pro inglês. não fecho os olhos por alguns instantes. levanto, coffee, cigarette. e vem a vontade de fechar os olhos de novo por alguns instantes. sono constanteeeeee.

aí estamos no salão, ouvindo black sabath quando minha mãe vem me intimar a ir ao casamento de uma prima que chama evelyn patrícia mas eu só chamava ela de patrícia – como todo mundo – e só fui descobrir no casamento que na verdade o nome dela também é evelyn. engraçado. mas engraçado também o gus vir em casa pela primeira vez e se deparar comigo pronta pra um casamento, de vestido de festa, salto, toda trabalhada na make up… enfim, em uma situação que poucos costumam presenciar.

lá fui eu. casamento. olha, não sou contra duas pessoas de unirem. mas convenhamos que ninguém precisa institucionalizar o amor. e olha, deus tá vendo que é amor mesmo que você não oficialize isso na igreja, sabe? outra coisa. acho extremamente machista o pai ter que levar a noiva até o altar. um homem entregando a filha a outro homem, como se a filha não tivesse condições de viver sem ter um homem em sua vida e tal. tirando essa e as partes em que o padre fala um monte de baboseira, as cerimônias são bonitas. é difícil um casamento em que eu não chore ~quem é mais sentimental que eu?~. mas nesse eu não chorei. achei boring, saca?

depois veio a festa. e eu louca pra ir ao show do marcelo camelo. só quem já comprou ingresso pra ver o marcelo camelo sabe como a parada é disputada. e nenhuma festa de casamento faria eu perder esse show. mas tinha um problema: minha mãe implicando porque eu tinha que estar com a família e blablabla. não quis me dar a chave do carro. fui de ônibus, vestido de festa e salto alto. é, tirei o salto no meio do caminho. é, fiquei descalça no show. mas o camelo merece um post só dele.

coutinho, wedding & camelo

Protesto

 A cerimônia foi linda. Meu primo, Rodrigo, é católico, a Sara, hoje casada com ele, é protestante. Por isso, o casamento foi celebrado por um pastor e não por um padre. O pastor, inclusive, é jornalista – e divertidíssimo. Disse coisas lindas sobre o amor, não teve nenhum daqueles discursos longos e entediantes. Lembro que assisti “Lutero” em uma aula de história, ainda no colégio. Logo de cara, achei o cara sensacional. Esses dias, lendo Nietzsche, ele acusa Lutero de ter “salvado” o cristianismo. Entendo as críticas do Nietzsche ao cristianismo, mas ainda assim, sou uma entusiasta de Lutero. “Sempre melhor ver com um de nossos próprios olhos do que com os olhos de outras pessoas” foi uma das frases ditas por ele. Ele viu o cristianismo como ele é em sua essência: uma questão de fé, e não uma fonte para lucros e para enganar as pessoas. Segundo alguns historiadores, foi ele quem inaugurou os princípios de liberdade religiosa.

O pastor discorreu livremente sobre o amor. “Se você, Sara, ao acordar, tem o seu primeiro pensamento dirigido ao Rodrigo, e ao se deitar, antes de dormir, também tem o pensamento nele, isso é amor […] Se você, Rodrigo, não consegue imaginar a sua vida sem a Sara, isso é amor também […] Vocês passaram da fase da paixão e hoje encontram-se amando um ao outro de forma plena […] Se antes vocês eram dois indivíduos, hoje vocês formam apenas um, ou seja, passaram a ser indivisíveis por dois, a alma de vocês está unida”.

Dá até vontade de casar, né?

Protesto