I heart it

Escrevo, apago, escrevo, apago, escrevo, apago. Não vou apagar porra nenhuma dessa vez. Quero mais Leminski, Buk e Dostoievski. Quero mais você. Inteiro. Completo. Só pra mim. Estou no melhor estilo Clara Averbuck: você realmente roubou todas as minhas palavras, tento escrever sobre você e só consigo escrever para você. Passei o dia inteiro relendo os textos dela. I found myself in them. Lembrei que só cai quem voa. Eu já voei. Eu já caí. Eu quero voar de novo. Mas não quero me arrebentar no chão depois. Eu gosto de abismos, mas não quero dar passos em falso. Ouço “meu coração eu pus no bolso, mas apareceu um moço que tirou ele dali” e imagino meu coração aí na sua mão. That’s it. Ele é seu. Mas toma cuidado com ele, tá? It’s yours. I’m yours.

I heart it

Apanhador de Sonhos

Eu tinha esquecido o quanto é bom dormir abraçada com outra pessoa, ouvindo a respiração dela e sentindo as batidas do coração.

               ***

Dormi.

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Sonhei que eu tinha uma ratinha chamada Agnes. Ela era preta & branca.

              ***

Minha irmã sonhou que a minha vó ficou triste por mim quando soube que meus ratos morreram. E disse que eu realmente preciso de outros ratos. Ou seja, ela apoia que eu tenha a Agnes.

              ***

Sonhei que eu ia visitar o Humberto em Mogi-Guaçu. Andávamos de skate e de bike. Fazíamos stêncil. Pixávamos os muros. Ajudávamos animais de rua. Tirávamos fotografias de grandes e pequenos momentos e acontecimentos. Conversávamos sobre Proudhon, Bakunin e Malatesta. Discutíamos sobre veganismo e vegetarianismo. Ouvíamos Misfits, Suicidal Tendencies e Beastie Boys. Fumávamos maconha. Bebíamos cerveja, vódega e tequila. Fugíamos da polícia. Líamos Nietzsche, Kerouac, Fante e Bukowski. E de repente eu não queria mais nada além de ficar ali com ele fazendo todas essas coisas. Eu me vi apaixonada por tudo aquilo. Eu estava… apaixonada por ele.

             ***

Depois da ayuhasca meus sonhos ficaram mais nítidos. Abri tantas portas…

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Sonho sempre com ela.

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Mas é preciso sentir-se parte de algo – e alguns de nós, muitos de nós, não conseguem sentir-se parte de coisa nenhuma…

Apanhador de Sonhos

Beer

Depois de um Mário Bortolotto recitando Buk, ao som de blues, ao vivo:

e lembra os velhos sacanas
que tão bem lutaram:
Hemingway, Céline, Dostoievsky, Hamsun.

se pensas que eles não enlouqueceram
em pequenos quartos
tal como tu agora

sem mulheres
sem comida
sem esperança

então não estás preparado.

bebe mais cerveja.
há tempo.
e se não houver
está tudo bem
na mesma.

Uma única coisa a dizer: cheguei em casa sem nenhuma buceta pra lamber, mas extremamente feliz, afinal, ainda tenho, e sempre terei, a cerveja pra beber.

Beer

Necessidade

“Eu queria infundir o mundo da escrita com a urgência e o ataque frontal do rock n’ roll”. Não, quem não considera escrever um necessidade, assim como respirar, não compreende essa frase da Patti Smith. Não estou tentando comparar o que eu escrevo com o que ela escreve. O que temos em comum é essa urgência pelas palavras. Coisa que o Caio, a Clarice, o Kerouac, o Buk, o Fante e uma porrada de escritores que eu amo, tinham. Mais uma vez: não estou querendo comparar o que eu escrevo com o que eles escreveram. Estou falando da necessidade de escrever. De depositar todo o caos existente dentro de si nas palavras. Mas… não adianta tentar explicar. Só quem também sente pode entender. Ah, se todos vocês soubessem! Se todos vocês sentissem! Se todos vocês vissem o dono da Tabacaria acenando, ouvissem os solos de guitarra e comessem chocolates! Será que ainda se importariam tanto assim? Não, nem em mim. Nem em mim, meus caros. Muito menos em mim.

Olhando para o meu antebraço, concluo que let it be é a melhor coisa que todo e qualquer ser humano e não humano pode fazer. Ninguém é obrigado a ler o que eu ou qualquer outra pessoa no mundo escreve. Meu espaço, minhas divagações, minhas palavras. Não gosta? Tem um “x” ali em cima, é só clicar nele. Acha que é de verdade, acha que é de mentira? It isn’t my problem, darling. Continuo e continuarei a escrever. Inventando realidades, realizando faz-de-contas. É doce.

A vida é bela, não esquece, tá?

Necessidade