Nem um dia

Mais dias vagando, vagabundeando por aí ao estilo Kerouac. Uma garoa fina e chata caía pelas redondezas da Paulista na quarta-feira. Nada que impedisse algumas cervejas e doses de seleta no bar da 9. Onde tudo isso foi acabar? Na Augusta, claro. Quando estávamos indo em direção àquela rua da perdição, conheci a Cris. Bêbada, MUITO bêbada. Mas linda, simpática e… lésbica.

 Ela acabou indo para Augusta também. Sinuca, cerveja, 4i20, anão. Lá pelas 3 da manhã fomos para casa dela. Ela divide um apartamento com alguns amigos, exatamente ao lado do bar da9. Aprimeira coisa que reparei ali? Os DVDs. Meninos Não Choram, Na Natureza Selvagem, Volver, Clube da Luta, Encontros e Desencontros, E Sua Mãe Também, Amores Brutos… Só filmaço. E eu só querendo assistir algum deles. Mais nada.

Sonhei com coisas com as quais não deveria ter sonhado. Levantei e fui trabalhar. Passadinha na faculdade, MASP, Habib’s e quando eu penso que vou voltar para minha casa… Acabo sendo conduzida para casa de uma amiga na Pamplona.

“Ela fica perguntando de você, ela nunca perguntou sobre as outras meninas que a gente apresentou para ela”. Umas sardinhas lindas. Amo sardas. Mas… nem 18 anos ela tem ainda. Fiquei na minha. Todo mundo esperando que eu tomasse uma posição. Aquela situação meio incômoda, sabe? A ação teve que partir dela. Aí não tive como dizer não, né?!

Dormimos no sofá, entre beijos, amassos e edredons. Mais nada. Espera ela fazer 18.

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Nem um dia

Sorrisos bobos

Última quarta-feira. Ela me liga dizendo que está saindo da aula e indo para a Paulista. Saio da aula também e vou encontrá-la. Perto do metrô Trianon-Masp. Não estava aquele vento catastrófico da noite anterior. Porém, o frio continuava. Estrelas. Lua crescente. O mesmo bar: Charme.

Tínhamos passado a manhã e a tarde conversando por e-mail sobre escolhas, limitações e crescer. Quando saí do trabalho, fui ao Ibirapuera, que fica praticamente do lado da escola onde sou repórter. Ao som de Hole e Bikini Kill, as palavras começaram a sair e escrevi a letra de uma música. Chamei de “Possibilities”. Ela ficou curiosa para ver como tinha ficado e do que se tratava.

Com vodka e cigarros como coadjuvantes, mostrei a letra. Ela achou do caralho. Pensamos em mais tarde tentar musicá-la. Conversamos sobre os mais diversos assuntos, como sempre. Educação, Katherine Mansfield, socialismo-comunismo, X So Pretty (eu tinha comprado o EP delas na Livraria Cultura durante a tarde), cores de cabelo, o por que dos homens preferirem as loiras, a vez em que ela, bêbada, na casa de parentesem Minas Gerais, enfiou a mão em um copo quebrado e teve que levar sete pontos, que perdeu a sensibilidade no dedo médio e que isso não era legal para fazer certas coisinhas e mais um monte de aleatoriedades. Uma, duas, três, quatro, CINCO doses de vodka.

Começamos a tentar musicar a “Possibilities”. Um som no estilo Hole. Então ela veio e me beijou e eu queria, mas ao mesmo tempo não queria porque afinal, não quero querer. Entende? Anyway, acabamos nos beijando e andando de mãos dadas pela Paulista. E puta que pariu, como eu gosto disso!

Pode até ser coisa de Restart e todo o caralho a quatro dessas merdinhas coloridas, mas confesso que foi lindo vê-la fazendo um coração com as mãos enquanto eu subia no ônibus para ir embora. Fui dando sorrisinhos bobos o caminho inteiro na volta para casa.  

Então no outro dia, abro meu e-mail e encontro uma mensagem dela: “E eu aqui quebrando a cabeça para escrever algo que consiga apenas descrever algo; Mas preciso descrever de um jeito bonito, todo poético, intenso, que soe do jeito que ela gosta; Que faça ela olhar agora o monitor e que saia um sorriso bobo, lindo… E que perdure o sorriso; Que faça ela reler isso de novo quando quiser lembrar de mim…; Porra, ela escreve uma música maneira e o que eu escrevo pode ser comparado com o texto de um aluno da 3ª série…; Mas eu sou péssima pra escrever essas sentimentalidades, mesmo assim quero algo que seja meu, não vou usar frase de ninguém agora!; Agora eu tô pensando o quão ridículo isso deve estar soando, não? (balançando a cabeça); Mas eu preciso que ela saiba…; E pra que ela saiba eu faço até isso…; Digo que eu fico cheia de sorrisinhos bobos ao longo do dia…; E que ando indo embora pra casa cheia deles também!”

Tem como não pirar nessa pessoa? Se tiver, me diga como, por favor.

Sorrisos bobos

Toque dela

A chuva caía lá fora enquanto eu escutava Brollies & Apples e lia Caio Fernando Abreu. Exatamente no ponto em que ele dizia: “tentando reunir os fragmentos, não saberia dizer se teria mesmo precisado acender outro cigarro ou beber mais um gole de uísque para ajudar a ideia vaga a tomar forma”, ela me liga.

Vejo seu nome no visor do meu celular e estremeço. Um estremecimento bom. Senti meu rosto ficar vermelho. Senti algo não identificado se mexendo no meu estômago. Ri de mim mesma: como sou patética!

Retornei a ligação. Ela havia saído do trabalho e descido na Av. Paulista. Resolveu se abrigar da chuva no escadão da Gazeta, enquanto aguardava o ônibus. Como eu estava ali na Cásper, resolveu me ligar e pedir para eu descer e encontrá-la.

Porém, o ônibus passou antes que eu descesse e ela foi para faculdade. Continuei aqui na Cásper. Escutando Brollies & Apples e lendo Caio Fernando Abreu. Mas agora com um sorriso bobo estampado no rosto e uma alegria ridícula pelo simples fato dela ter me ligado. Agora o Caio diz “sorriso nos lábios pálidos, não era preciso dizer nada”. Já mencionei que sou patética?!

***

Minha aula começou. O professor falava algo a respeito de um documentário chamado “Santiago”, do João Moreira Salles. Só lembro que é sobre um mordomo argentino de sangue italiano que trabalhou por três décadas para o pai do João, o Walther Moreira Salles. Foi quando mandei uma mensagem para ela dizendo que sairia da Cásper por volta das 21h30 e que se ela quisesse, poderíamos nos encontrar para tomar uma vodka.

Ela veio novamente para a Av. Paulista e nos encontramos. Fomos ao Charme, aquele bar ao lado do Trianon e praticamente em frente ao MASP. Pedimos a nossa vodka. Mas resolvemos fazer isso exatamente no dia em que um ciclone extratropical resolve atingir todo o Sul e Sudeste do país. Ou seja, as rajadas de vento chegaram a 80km/h. Estávamos praticamente sendo levadas pelo vento. Mesmo assim, não posso reclamar.

 Pode ter sido uma merda pelo vento que parecia em fúria, mas a simples presença dela fez qualquer raivinha de Iansã parecer pequena. Não chegou nem aos pés de ser uma de nossas melhores conversas, mas não imagino mais um dia sequer sem fazer alguma-coisa-qualquer com ela. Pode ser ir à banca de revistas comprar uma Super Interessante, ir na Livraria Cultura ficar horas ou ao menos 5 minutinhos vendo os livros da Virginia Woolf , da Katherine Mansfield e da Clarice Lispector, fumar um cigarro juntas enquanto conversamos sobre The L Word, ou mesmo não fazer nada. Desde que eu faça nada ao lado dela. Entendeu por que sou patética?

Toque dela